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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

VALOR DA CESTA BÁSICA AUMENTA EM 16 DAS 17 CAPITAIS, DIZ DIEESE

 

O valor da cesta básica aumentou em 16 capitais em janeiro deste ano. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), analisou 17 capitais. Brasília (6,36%), Aracaju (6,23%), João Pessoa (5,45%), Fortaleza (4,89%) e Goiânia (4,63%) tiveram as altas mais expressivas na variação mensal.

 

São Paulo, por sua vez, tem a cesta mais cara: R$ 713,86. Em seguida estão as cidades de Florianópolis (R$ 695,59), Rio de Janeiro (R$ 692,83), Vitória (R$ 677,54) e Porto Alegre (R$ 673). Entre as cidades do Norte e Nordeste, que tem uma composição da cesta diferente, o custo mais barato foi observado em Aracaju, cujo valor ficou em R$ 507,82; João pessoa, R$ 538,65; e Salvador, 540,01.

 

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, as maiores altas acumuladas foram registradas em Natal (21,25%), Recife (14,52%), João Pessoa (14,15%) e Campo Grande (14,08%). 

 

A partir desse levantamento, o Dieese calcula quanto deveria ser o salário mínimo para a manutenção de uma família de quatro pessoas com base no custo da cesta mais cara. Em janeiro de 2022, o valor deveria ser de R$ 5.997,14, o que equivale a 4,95 vezes o valor do mínimo de R$ 1.212.

 

O departamento também calcula o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica. Em janeiro de 2022, a jornada foi 112 horas e 20 minutos. No mês anterior, o tempo necessário era de 119 horas e 53 minutos.

 

Entre os destaques no levantamento deste mês, o preço do quilo do café em pó subiu em todas as capitais analisadas na comparação com dezembro. Segundo o Dieese, “a expectativa de quebra da safra 2022/2023 e os menores estoques globais de café elevaram tanto os preços internacionais quanto os preços internos”. 

 

O açúcar também ficou em destaque, com o valor do quilo mais alto em 15 capitais. Em Brasília, o custo do produto ficou 4,66% mais alto. Apenas Florianópolis e Porto Alegre tiveram queda, de 1,09% e 0,22%, respectivamente. A entressafra é a justificativa para o aumento dos preços.

 

O óleo de soja ficou mais caro em 15 capitais, apenas Vitória e Aracaju tiveram baixa no preço. Em Belém, que teve a maior variação, o custo do alimento aumentou 5,99%. O Dieese aponta que o clima pode afetar a soja no Brasil e que também há muita procura externa pelo grão e pelo óleo bruto.

 

A boa notícia ficou por conta da redução do preço do arroz agulhinha e do feijão. O preço do arroz recuou em 16 das 17 capitais pesquisadas. Em Vitória, no Espírito Santo, a queda alcançou 9,87%. No caso do feijão, o custo ficou mais barato em 12 capitais. “Para o tipo carioquinha, pesquisado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, as retrações oscilaram entre -8,44%, na capital mineira, e -0,29%, em Aracaju”, diz a nota do Dieese.

 

ABr

Segunda-feira, 07 de fevereiro 2022 às 17:48


 A pandemia ainda não acabou, vacine-se e proteja a quem você ama!

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

AUXÍLIO BRASIL COMEÇA A SER PAGO NESTA TERÇA-FEIRA

 

A partir de terça-feira (18/1), a Caixa Econômica Federal começa a pagar a terceira parcela do Auxílio Brasil às famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com o Número de Identificação Social (NIS) final 1.

 

A terceira parcela incluirá 3 milhões de famílias, aumentando para 17,5 milhões o total de famílias atendidas.

 

Cada uma delas receberá um repasse mínimo de R$ 400. Nesta quarta-feira (19/1), serão os beneficiários com o NIS final 2.  De acordo com o Ministério da Cidadania, o investimento total para os pagamentos supera R$ 7,1 bilhões.

 

Veja a tabela de inclusão de famílias no Auxílio Brasil em todos os estados e no Distrito Federal:

 

Auxílio-gás

 

O Auxílio-gás também começa a ser pago - retroativamente a partir de hoje - para as famílias cadastradas no CadÚnico, com o NIS terminado em 1, e segue o mesmo calendário regular de pagamentos do Auxílio Brasil.

 

Com duração prevista de cinco anos, o programa beneficiará 5,5 milhões de famílias até o fim de 2026 com o pagamento de 50% do preço médio do botijão de 13 quilos a cada dois meses. Atualmente, a parcela equivale a R$ 56.

 

Cerca de 108,3 mil famílias de municípios do norte de Minas Gerais e do sul da Bahia, atingidas pelas enchentes em dezembro, começaram a receber o Auxílio Gás no mês passado.

 

Para este ano, o Auxílio Gás tem orçamento de R$ 1,9 bilhão. Só pode fazer parte do programa quem está incluído no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

ABr

Terça-feira, 18 de janeiro 2022 às 12:24

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

INSS VAI PAGAR R$ 1,5 BI EM ATRASADOS

 

O CJF (Conselho da Justiça Federal) liberou para os TRFs (Tribunais Regionais Federais) o total de R$ 1,461 bilhão para o pagamento das RPVs (Requisições de Pequeno Valor). Com isso, os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que venceram, em novembro, ações de concessão ou revisão de benefícios de até 60 salários mínimos (correspondente a R$ 66 mil), recebem nos próximos dias.

 

O dinheiro vai quitar atrasados de ações previdenciárias, assistenciais e de aposentadorias, incluindo o BPC (Benefício de Prestação Continuada), pensões e auxílios.

 

Ao todo o dinheiro vai para 103.619 beneficiários que venceram 79.836 processos contra a Previdência e não há mais nenhuma possibilidade de recurso.

 

 Na região do TRF-3, por exemplo, que atende os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, serão pagos R$ 165,7 milhões a 7.498 beneficiários que venceram 6.427 processos. Para estes, o tribunal informou à Folha que os pagamentos estão em fase de processamento dos valores. 

Assim que esse processo for finalizado, o segurado já poderá consultar se seu nome está na lista de pagamento.

 

Veja como consultar.

 

TRF da 1ª Região (Sede no DF, com jurisdição no DF, MG, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO e AP)

 

Total geral: R$ 739.561.876,61 (52.805 processos, com 61.517 beneficiários)

Ações previdenciárias e assistenciais: R$ 635.997.177,86 (32.330 processos, com 38.102 beneficiários)

TRF da 2ª Região (sede no RJ, com jurisdição no RJ e ES)

 

Total geral: R$ 130.741.327,43 (9.452 processos, com 11.562 beneficiários)

Ações previdenciárias e assistenciais: R$ 100.290.461,76 (5.220 processos, com 6.789 beneficiários)

TRF da 3ª Região (sede em SP, com jurisdição em SP e MS)

 

Total geral: R$ 214.482.026,11 (14.911 processos, com 16.157 beneficiários)

Ações previdenciárias e assistenciais: R$ 165.662.569,20 (6.427 processos, com 7.498 beneficiários)

TRF da 4ª Região (sede no RS, com jurisdição no RS, PR e SC)

 

Total geral: R$ 379.889.653,13 (37.163 processos, com 44.864 beneficiários)

Ações previdenciárias e assistenciais: R$ 329.069.777,04 (19.921 processos, com 24.940 beneficiários)

TRF da 5ª Região (sede em PE, com jurisdição em PE, CE, AL, SE, RN e PB)

 

Total geral: R$ 282.332.854,87 (28.241 processos, com 41.236 beneficiários)

Ações previdenciárias e assistenciais: R$ 230.836.628,43 (15.938 processos, com 26.290 beneficiários)

 

* Folha de São Paulo.

Quarta-feira, 22 de dezembro 2021 às 10:43

domingo, 21 de novembro de 2021

DOAÇÕES DE COMIDA DESABAM 97% POR CONTA DO PREÇO E SITUAÇÃO ASSUSTA ONGS

 Nos primeiros meses da pandemia, uma rara boa notícia trazida junto com a Covid-19 foi a onda de solidariedade que varreu o país. A sociedade civil saiu na frente do poder público e tratou de socorrer a parcela mais necessitada da população, que, em tempos de isolamento social, foi submetida a privações ainda mais profundas do que as habituais. Quem tem fome, tem pressa, ensinou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997). Na Ação da Cidadania, ONG fundada por ele, o sinal de alerta vem agora com a constatação de que as doações responsáveis pela alimentação de muitas famílias já não chegam nas mesmas velocidade e quantidade de meses atrás.

 

A bem-vinda baixa nos números de contaminação e mortes, provocada pelo avanço na vacinação, deve ser comemorada, mas, por outro lado, desmobilizou pessoas físicas e empresas voluntárias. A inflação nas gôndolas dos mercados e a alta do gás pioraram a situação. Como resultado dessa combinação, a Ação da Cidadania, que chegou a arrecadar mais de R$ 10 milhões por mês este ano, agora recebe em torno de R$ 300 mil, uma redução de mais de 90%.

 

Na outra ponta, a quantidade de gente pedindo ajuda não para de crescer. No Rio, entidades menores, em rede, tentam apoiar umas às outras, trocando alimentos e outros donativos para suprir necessidades emergenciais. Outro fenômeno chama atenção: pessoas que mudaram de lado, passaram de voluntários a candidatos a algum tipo de auxílio.

 

Crislaine Inglidis, de 32 anos, sempre participou ativamente do projeto Parque Vivo, que funciona há 18 anos na Gávea com aulas de reforço escolar e outras atividades para moradores do Parque da Cidade e da Rocinha, na Zona Sul. Com o desembarque do coronavírus no Rio, perdeu o emprego de recepcionista em uma clínica médica, que fechou. Ela e o filho, Juan, de 7 anos, que vivem no Parque da Cidade, chegaram a depender integralmente de cestas básicas repassadas na entidade, parceira da campanha Eu Ajudo Como Dá, criada na pandemia pela dentista Simone Levy.

 

—Sempre fui ativa como voluntária no projeto, ajudando muitas pessoas com o pouco que tinha. Mas chegou uma hora em que eu precisei de ajuda também — conta Crislaine, que ainda necessita de apoio, mas já começa a ver luz no fim do túnel, na forma de alguns trabalhos extras.

 

Histórias como a de Crislaine estão longe de serem incomuns. Diretor-executivo da Ação da Cidadania, Rodrigo Kiko Afonso conta que a instituição, atuante junto a uma rede de ONGs, movimentos e lideranças de todo o Brasil, agora convive também com pessoas físicas batendo à porta. A próxima edição da tradicional Campanha Natal sem Fome é sua esperança de ver as doações voltarem a crescer.

 

De janeiro a agosto deste ano, a Ação da Cidadania conseguiu arrecadar cerca de R$ 100 milhões entre doações financeiras e de alimentos —um recorde na história da fundação. Em setembro, no entanto, o montante mensal desabou.

 

—Há a crise afetando as empresas e também a questão cultural das pessoas que só ajudam na tragédia e não doam no drama. Quando as pessoas veem na capa do jornal Extra famílias pegando ossos para comer, vão correndo doar. Mas não há uma cultura de doação contínua. Fora que há gente que doava e agora está mais apertada. Os servidores públicos do Rio eram grandes doadores, mas isso já não se vê mais —observa Kiko.

 

Este ano, por outro lado, a fundação aumentou de 2.100 para 3 mil as instituições assistidas. Para o diretor, a crise econômica enfrentada no Rio desde 2016 também é um fator que agrava o quadro de miséria:

 

— A Covid serviu para acelerar o processo. Sem o vírus, inevitavelmente daqui a um ou dois anos estaríamos vivendo o cenário de agora.

 

Moradora do Morro Santo Amaro, no Catete, Maria Lúcia Alves da Silva, 63 anos, ainda precisa, mas já não conta mais com as doações como antes. Ela tem a guarda de dois netos, Leon, de 11, e Lívia, de 15, e se desdobra em faxinas para dar conta do sustento dos jovens. Os três vivem num cômodo (que precisa urgente de obras contra infiltrações) com dinheiro de um salário mínimo de pensão do marido de dona Lúcia, falecido, mais R$ 500 mensais que a idosa recebe por seu trabalho pesado:

 

—Aqui sou e Deus —resume ela, que eventualmente é ajudada pelo Instituto Pastoral São Cosme e Damião, parceiro da Ação da Cidadania:

 

— Eles tentam ajudar, mas nem sempre dá. Tenho recebido a cesta um mês sim, outro não.

 

O movimento União Rio se destacou na pandemia com a entrega de leitos e materiais hospitalares, como EPIs. Depois, focou no auxílio a famílias em situação de vulnerabilidade.

 

—Logo no início a gente entendeu que a fome chegou antes do vírus nas comunidades. Tivemos um boom de doações até julho de 2020. Em janeiro deste ano, as pessoas não estavam mais doando cestas de alimentos. E isso casou com o fim do auxílio emergencial do governo— lembra Daniella Raimundo, cofundadora do União Rio.

 

Segundo Daniella, a fome nas casas dos mais pobres voltou com força em fevereiro, e o assunto na mídia fez elevar de novo as doações:

 

— De abril a julho deste ano distribuímos em torno de 30 mil cestas por mês. Mas aí as ofertas voltaram a diminuir de novo. Em outubro, tínhamos só 300 cestas em estoque.

 

Esse movimento de ioiô nas ações de solidariedade é um tormento à parte. Na comunidade do Batan, em Realengo, a Associação Beneficente Amigos pela Caridade, que nos momentos mais críticos de restrições na pandemia entregava 2 mil cestas básicas por mês, atualmente não tem como atender nem as 160 famílias cadastradas no seu projeto de reforço escolar. Há seis meses, começaram os cortes na lista de beneficiados e, como resultado, dias com fila na porta, de pessoas em desespero.

 

— Aqui no Batan temos pessoas passando fome mesmo. E a alta dos alimentos só agrava essa situação—relata Agnes Ribeiro, fundadora da associação.

 

Catadora de garrafas PET e de latinhas na comunidade, Maria Aparecida Conceição, de 43 anos, tem duas filhas. Beatriz, de 12 anos, é inscrita no projeto de Agnes e, por isso, recebe a cesta básica.

 

— Muita coisa mudou. A gente ganhava muitas doações, e isso já não acontece mais. Agora tem mais catadores no bairro, porque muitos moradores ficaram sem emprego. A cesta básica é a base da nossa alimentação—revela Maria.

 

Também atuante nos últimos tempos, a campanha Eu Ajudo Como Dá calcula em 60% a queda nas doações de alimentos e dinheiro em comparação com os meses de acirramento da pandemia: o movimento da sociedade civil, desde abril do ano passado, quando teve início, ajudou mais de 20 mil pessoas e distribuiu cerca de 3 mil cestas básicas. Hoje, por mês, a meta é entregar o kit de alimentos a algo entre 100 e 200 famílias de projetos ligados ao Instituto da Criança. A dentista Simone Levy, criadora e líder da campanha, adianta que, no Natal, receberão ajuda 200 famílias. Para driblar a crise nas doações, ela vem investindo em campanhas até em condomínios. Na ação “Meu condomínio ajuda como dá”, são instalados um banner e uma caixa para receber os alimentos durante 30 dias. A mesma iniciativa já foi levada a escolas.

 

—Temos o tempo todo que fazer campanhas paralelas para que as pessoas vejam o nosso projeto. Mesmo quem doa desde o início já está ajudando de forma mais modesta, com valor menor ou menos alimentos —afirma Simone, que precisou criar uma modalidade de cesta básica mais enxuta. —Com o aumento do valor dos alimentos, uma cesta básica por R$ 70 reais passou a ser inviável. Então, agora para o Natal, lançamos duas: uma no valor de R$ 50 e outra no de R$ 100. A menor não tem proteína, muitas vezes não tem óleo e manteiga nem café. E o arroz, em vez de ser no pacote de 5 kg, é de 2 kg.

 

— E o pior é que a situação das pessoas que perderam emprego na pandemia está mais grave agora, ainda mais com a inflação forte — diz Andreia Martins, uma das fundadoras do projeto.

 

Simone Levy, que também atua com sua campanha junto à população em situação de rua, vê no dia a dia das ações de distribuição de alimentos nas calçadas o sofrimento sentido na pele por um número crescente de pessoas:

 

—Há famílias inteiras nas ruas. E, além das que a gente sempre encontra nas nossas ações, vêm surgindo sempre pessoas novas — diz ela, fazendo um apelo. — Tem várias maneiras de ajudar. Uma delas, por exemplo, é divulgando projetos como o nosso.

*Agência O Globo

Domingo, 21 de novembro 2021 às 17:19